O impacto oculto do estresse térmico
Quando fetos são expostos a temperaturas elevadas durante a gestação — uma condição conhecida como estresse térmico intrauterino — os leitões podem nascer mais leves, com um microbioma intestinal comprometido, função imunológica enfraquecida e uma vulnerabilidade aumentada ao estresse em fases posteriores da vida. Esses efeitos não são sempre imediatamente óbvios, mas são essenciais de reconhecer e prevenir.
Cada grau acima de 25 °C afeta o desempenho:
Três momentos decisivos
(Acasalamento até o ~14º dia)
Durante as duas primeiras semanas de gestação, os embriões estão se desenvolvendo e se implantando no útero. O estresse térmico aumenta a temperatura corporal central da porca e altera o ambiente uterino (fluxo sanguíneo, hormônios e equilíbrio oxidativo). Essas alterações podem reduzir a sobrevivência dos embriões e aumentar a perda embrionária precoce, levando a um número menor de leitões nascidos no total.
(~30º a 60º dia)
Entre os dias 30 e 60, os principais órgãos fetais e a placenta estão se desenvolvendo. O estresse térmico durante esse período pode reduzir a eficiência da placenta e o fornecimento de nutrientes ao feto. Em fetos do sexo feminino, essa etapa também coincide com fases importantes do desenvolvimento ovariano. A exposição excessiva ao calor pode afetar a formação e a sobrevivência das células germinativas iniciais (futuros oócitos), podendo influenciar a capacidade reprodutiva da porca jovem.
(Últimas semanas antes do parto)
No final da gestação, o estresse térmico aumenta o estresse oxidativo e faz com que a porca redirecione o fluxo sanguíneo para a pele, a fim de dissipar o calor. Isso pode reduzir o fluxo sanguíneo para o útero e a placenta. Como resultado, o fornecimento de oxigênio e nutrientes aos fetos pode ser comprometido, aumentando o risco de natimortos, baixo peso ao nascer e leitões mais fracos no momento do nascimento.
A preparação começa muito antes de cada etapa
O estresse térmico durante essas fases pode reduzir a sobrevivência dos embriões, o desenvolvimento fetal e o peso ao nascer.
Como o estresse térmico afeta a porca
Impacto metabólico
- Menor eficiência na utilização de nutrientes
- Estresse oxidativo aumentado
- Ativação do sistema imunológico — desviando nutrientes do crescimento e da reprodução
Integridade intestinal
- Produção e secreção reduzidas de mucina
- Aumento da permeabilidade intestinal (“intestino permeável”)
- Alterações na microbiota intestinal, reduzindo bactérias benéficas
- Favorecendo patógenos oportunistas
Função reprodutiva
- Alterações no início da puberdade e na manifestação do cio
- Diminuição da secreção de hormônios reprodutivos essenciais
- Produção de leite deficiente
- Tempos prolongados de parto
Estresse térmico antes do nascimento afeta o desempenho ao longo da vida
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Lactação sob estresse térmico
A lactação é o estágio que mais exige energia na vida de uma porca, e o estresse térmico amplifica enormemente essa carga. Além dessas perdas produtivas, o estresse térmico prejudica a integridade intestinal ao aumentar a permeabilidade intestinal (“intestino permeável”) e elevar a inflamação sistêmica. Combinados, esses estresses fisiológicos aumentam a vulnerabilidade a doenças e elevam substancialmente o risco de mortalidade de porcas durante os meses de verão.
Sob temperaturas elevadas, as porcas reduzem a ingestão de ração para limitar a produção de calor metabólico, o que, por sua vez, reduz a produção de leite, retarda o crescimento dos leitões e prolonga o intervalo desmame-cio.
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